domingo, 27 de março de 2011

O que se espera de um coro.

Estamos acostumados a participar de cultos evangélicos nos quais, geralmente, mensagens cantadas não congregacionais são apresentadas por solistas ou grupos vocais de portes diversos, dentre eles se destacam os coros, comumente formados por um grande número de cantores. É através dos coros que as mensagens são apresentadas de forma intensa e envolvente. Esperamos receber deles uma mensagem de compreensão clara, apoiada sobre uma melodia atraente, adequadamente harmonizada. Tais predicados são de responsabilidade, respectivamente, do poeta ou letrista, do compositor e, em alguns casos, do harmonizador, considerando que, às vezes, um hino ou um cântico avulso é, originalmente, produzido contendo somente letra e melodia, recebendo, posteriormente, harmonização tanto para as vozes como para um grupo instrumental de acompanhamento. Entretanto há a outra parte responsável pelo acontecimento musical, que é o conjunto de vozes que o interpretam, que é o coro, no caso dessa nossa argumentação, e pelos possíveis instrumentos de acompanhamento, caso a peça musical não seja executada “a capella”. Mas o que se espera do desempenho de um coro? Alguém poderia dizer: Que cada um de seus componentes entoe corretamente a linha melódica do naipe a que pertença, para que todo o grupo produza a linha melódica e eventual harmonização propostas pelo compositor da obra a ser executada.

Tecnicamente se descreve um coro como sendo um grupo de vozes que soam simultaneamente transmitindo, com grande intensidade, uma mensagem inteligível e coerente. O coro pode se expressar na forma falada ou cantada. No coro falado, a principal característica é a emissão das mesmas sílabas ao mesmo tempo, sem haver compromisso com a simultaneidade de altura sonora de cada sílaba pronunciada. A partir do momento em que as mesmas sílabas pronunciadas por cada voz se situem na mesma altura, ou seja, na mesma nota, mesmo que sejam emitidas em oitavas diferentes, passamos a ter o que podemos denominar de uníssono, que pode ser monótono ou melódico. No momento em que o coro se manifesta de uma forma melódica, surge diante de nós o coro cantado, alvo dessa nossa reflexão.

O coro cantado pode se manifestar através de uma melodia em uníssono (monodia) ou de várias melodias diferentes (polifonia), distribuídas pelas diversas partes vocais (soprano, mezzo ou contralto, para vozes femininas; tenor, barítono ou baixo, para vozes masculinas), produzindo um canto harmonizado. Essa é a forma geralmente utilizada pelos coros nas igrejas.

Os regentes cujos coros são compostos por cantores que possuem um mínimo de percepção musical ou até por cantores profissionais, só se preocupam com a interpretação das obras, no que tange à dinâmica e à expressão sugeridos pelo compositor. Coros com componentes dessa qualidade são capazes de cantar à capela sem a menor dificuldade. Entretanto os coros das igrejas não são compostos por cantores profissionais, mas por pessoas que são atraídas para participarem dos mesmos por possuírem o dom natural da música ou apenas por acharem bonito vestir a beca e participarem do grupo perante a congregação. Na sua maioria, ou até na sua totalidade, esses componentes não são capazes de ler as partituras. Algumas delas até têm grande dificuldade com relação à percepção musical. Isso faz com que seus regentes se tornem verdadeiros trabalhadores braçais da música, submetidos a um grande desgaste no trabalho de fixação da melodia de cada naipe, o que demanda muito tempo dos ensaios. É comum ouvirmos coros, até mesmo aquele que conduzimos, em que se percebe componentes emitindo notas erradas no seu naipe ou prolongando indevidamente a duração das mesmas. Alguns regentes tentam camuflar tais deficiências através  da inserção de cantores experientes especialmente convidados, ou convocando bons acompanhantes ao piano ou ao órgão, ou até mesmo uma pequena orquestra, para preencherem as falhas. Isso é uma mentira.

Eu gosto de pensar, e assim considero, que os coros das igrejas devem ser considerados como verdadeiras escolas musicais onde se tem a possibilidade de, ao tempo em que se treina o grupo na interpretação da peças musicais, se ensinar os rudimentos da teoria musical, estimulando os cantores a buscarem conhecimento técnico. A idéia de que sendo para Deus o que vale é a intenção do coração, como desculpa para as imperfeições e falta de cuidado no canto coral, para mim é imperdoável. É preciso ter em mente de que o som, que é a parte tangível da música, tem como principal alvo o homem, que precisa ser encantando pela beleza do canto para que sua mente e coração se abram e deixem a mensagem penetrar no seu interior. Deus é Espírito e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e verdade. No campo espiritual não há som, só intenção. Mas a música, através do coro, é o instrumento que Deus usa para mostrar a sua vontade para as pessoas, precisando ser perfeita como Ele o é. Porisso, creio, Deus se interessa pela perfeição do canto porque quando ele é belamente interpretado, as pessoas são alcançadas pela mensagem que carregam. Música ruim espanta os ouvintes, não acha a porta da mente nem a do coração.

Diante disso, penso que os regentes precisam ser exigentes quanto à qualidade do som produzido pelo coro que dirige. O regente, especialmente de coro de igreja, precisa estar atento para identificar os componentes que têm dificuldade de percepção musical, tanto no aspecto tonal quanto rítmico. Não concordo que se deve conduzir um coro de qualquer jeito, com componentes emitindo notas erradas, fora da oitava certa, com fonação inadequada e outras deformidade sonoras. Para Deus devemos fazer o melhor para que sua mensagem seja agradável.

Soli Deo Gloria

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Olá, povo que canta, que toca, que rege ou simplesmente ouve. Dedico este blog para a discussão de temas ligados à música que é usada nas igrejas evangélicas. Quero por em debate as formas musicais e os conteúdos em voga nos cultos, apontando os pontos positivos e os negativos. A participação dos leitores é bem-vinda, desde que adequadamente identificada.

Seja bem-vindo!